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8 de jul. de 2013
8 de jan. de 2013
Caio Fernando Abreu
“Poderia eu passar horas perdida em pensamentos meus. Com fios de cabelos perdidos entre os lençóis. Tão inquieta. Ora de um lado, ora de outro. Trocar cabeça pelos pés. Assustar-me com alguns dos pensamentos mais obscuros que se passam em minha mente. Eu gosto de ser deixada sozinha, meu caro. Desculpe-me se parece complicado para você entender. Não pense que é loucura. É vontade de pensar, de conversar comigo mesma. Mal sabe o quão bons são meus longos diálogos… Eu quero ficar por aqui. Quieta, entre as quatro paredes do quarto. Só meu corpo e minha mente. Novas pessoas vão chegando em minha vida, mas eu não as deixo entrar. Eu barro a porta, ignoro ligações, fujo de encontros… Eu tenho medo, amor. Medo de ser deixada outra vez. O celular descarregou e eu o deixei assim, fechei as janelas e a porta. Tornei-me incomunicável, estou trancada em mundo só meu. Sabe-se lá por quanto tempo será… Talvez esteja à espera de alguém que invada a minha vida. Alguém que note que estou apagada atrás dos sorrisos. Que olhe verdadeiramente no fundo dos meus olhos e veja que me sinto só. Ando esperando um abraço sem palavras, um conforto.”
Caio Fernando Abreu
28 de out. de 2012
Caio Fernando Abreu
[...]
Hoje - tantos anos depois, neurônios arrebentados de álcool, drogas, insônia, rejeições, e a memória trapaceia, mesmo com a atenção voltada inteira para o centro seco daquilo que era denso
e foi-se dispersando aos
poucos, como se perdem o tempo e as emoções, poeira varrida, por mais
esforços que faça, plena madrugada, sede familiar, telefone - mudo - não
consegue lembrar de quase mais nada além disto tudo que tentou ser
dito, ou aquilo que agora chama, com carinho e amargura, de:
Aquele Tempo.
Tempo, faz tanto tempo, repetem - esquece.
Continuam a dizer coisas que ele não entende. [...]
Caio Fernando Abreu
Excerto de
''Os Dragões Não Conhecem O Paraíso''
Aquele Tempo.
Tempo, faz tanto tempo, repetem - esquece.
Continuam a dizer coisas que ele não entende. [...]
Caio Fernando Abreu
Excerto de
''Os Dragões Não Conhecem O Paraíso''
5 de out. de 2012
E
existem aquelas pessoas, que por mais distantes que estejam, ainda
continuam perto. Aquelas, que passe o tempo que passar, serão sempre
lembradas por algo que fizeram, falaram, mostraram, ou nos fizeram
sentir. É isso. As pessoas são lembradas pelos sentimentos que
despertaram em nós, e quanto maior o sentimento, maior se torna a
pessoa."
Caio F.Abreu
20 de ago. de 2012
Chove ? Nenhuma chuva cai...
Chove ? Nenhuma chuva cai...
Então onde é que eu sinto um dia
Em que ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia ?
Onde é que chove, que eu o ouço ?
Onde é que é triste, ó claro céu ?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu...
E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...
E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.
Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuro, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...
Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas...
No claustro seqüestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés
No meu cansaço perdido entre os gelos,
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância...
Fernando Pessoa
In: Cancioneiro
18 de jun. de 2012
14/06/2012
4 de jun. de 2012
18 de abr. de 2012
Questão de Pontuação
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.
João Cabral de Melo Neto
in: 'Museu de tudo e depois'
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988, p. 146
13 de fev. de 2012
***
São incontroláveis os sonhos (...):
se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições.
(Sugestões para atravessar agosto,
in: Pequenas Epifanias, CFAbreu)
8 de dez. de 2011
Caio Fernando Abreu
“Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o ...que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente. Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça. Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por você. Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça. Não espere. Promessas vão e vem. Planos, se desfazem. Regras, você as dita. Palavras, o vento leva. Distância, só existe pra quem quer. Sonhos se realizam, ou não. Os olhos se fecham um dia, pra sempre. E o que importa você sabe, menina é o quão isso te faz sorrir. E só.”
Caio F. Abreu
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