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8 de jan. de 2013
Caio Fernando Abreu
“Poderia
eu passar horas perdida em pensamentos meus. Com fios de cabelos
perdidos entre os lençóis. Tão inquieta. Ora de um lado, ora de outro.
Trocar cabeça pelos pés. Assustar-me com alguns dos pensamentos mais
obscuros que se passam em minha mente. Eu gosto de ser deixada sozinha,
meu caro. Desculpe-me se parece complicado para você entender. Não pense
que é loucura. É vontade de pensar, de conversar
comigo mesma. Mal sabe o quão bons são meus longos diálogos… Eu quero
ficar por aqui. Quieta, entre as quatro paredes do quarto. Só meu corpo e
minha mente. Novas pessoas vão chegando em minha vida, mas eu não as
deixo entrar. Eu barro a porta, ignoro ligações, fujo de encontros… Eu
tenho medo, amor. Medo de ser deixada outra vez. O celular descarregou e
eu o deixei assim, fechei as janelas e a porta. Tornei-me
incomunicável, estou trancada em mundo só meu. Sabe-se lá por quanto
tempo será… Talvez esteja à espera de alguém que invada a minha vida.
Alguém que note que estou apagada atrás dos sorrisos. Que olhe
verdadeiramente no fundo dos meus olhos e veja que me sinto só. Ando
esperando um abraço sem palavras, um conforto.”
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